Com apenas 17 anos, Natália Pinto se interessava por línguas, Administração, viagens, meio ambiente e tinha diversas dúvidas em relação ao mercado. Ela, então, acabou escolhendo fazer vestibular para o curso que achou mais condizente com suas aspirações: Tecnologia em Gestão de Turismo. No entanto, no decorrer da formação, se deu conta de que o turismo, em si, não era “sua praia”. Essa descoberta, aliada à falta de conteúdo acadêmico, a fizeram decidir cursar o bacharelado em Administração. “Gostei do curso tecnológico, mas como é muito focado para o mercado, percebo que deixou algumas lacunas em relação às áreas teóricas, à pesquisa e à extensão, o que também contribuiu para a minha decisão de fazer outro curso”, afirma.

 

Não só Natália como tantas outras pessoas tiveram ou ainda têm dúvidas em relação ao mundo profissional e se questionam sobre, além da área, que modalidade de curso deveriam fazer. Alguns jovens, por exemplo, têm uma ideia a respeito de um tipo de formação mas, quando estão nele, percebem que a escolha não foi a certa para a sua carreira ou não estava de acordo com os seus objetivos.

 

Aspectos como entrar rapidamente no mercado, adquirir conhecimentos mais abrangentes e se especializar no segmento em que já se atua são apenas alguns dos pontos considerados na hora de dar esse passo. E é com base nesses objetivos que se faz a opção por diferentes modalidades de curso, entre as quais estão a graduação superior, o curso técnico e a formação superior tecnológica.

 

No entanto, ter dúvidas em relação aos objetivos profissionais nem sempre é o problema, pois, para algumas pessoas, as funções e os intuitos de cada curso ainda não estão claros. Uma situação comum é a confusão feita entre o curso tecnológico e a formação técnica.

 

O Ministério da Educação dispõe, no seu portal na internet, a seguinte diferenciação entre as modalidades: “cursos técnicos são programas de nível médio com o propósito de capacitar o aluno, proporcionando conhecimentos teóricos e práticos nas diversas atividades do setor produtivo, e os cursos tecnológicos classificam-se como de nível superior”.

 

Além disso, há diferenças na esfera acadêmica, já que a formação técnica é equivalente ao nível médio enquanto a graduação tecnológica consiste num curso superior de duração mais curta que um tradicional e torna o concluinte qualificado para uma pós-graduação, como aponta Denis Carmassi, coordenador de cursos superiores do Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada (IBTA).

 

O especialista ainda ressalta outras diferenças, estas na esfera profissional. “Os cursos técnicos e tecnológicos possuem, dentro de uma mesma área, atribuições diferentes, sendo que, para os técnicos, cabem verbos como executar e operar enquanto para os tecnólogos atribuem-se supervisionar, planejar, gerir”, explica.

 

Para o mercado, no entanto, ainda há desconfiança para quem se forma em curso superior tecnológico. A maioria dos processos de trainee e muitos concursos públicos restringem suas vagas para profissionais com bacharelado e licenciatura em superior ou com nível técnico. A estudante Viviane Correia sofre isso na pele. “Curso Gestão financeira e não consigo recolocação no mercado e a maioria dos estágios são só para bacharelado”.

 

Essa dificuldade sentida pelos tecnólogos, no entanto, vem mudando. Dados do Censo da Educação Superior indicam que de 2010 a 2011 a matrícula em cursos tecnológicos cresceu 11,4%, enquanto o aumento no curso de bacharelado ficou em 6,4%. Já a formação em licenciatura teve acréscimo de apenas 0,1%, o que demonstra, aos poucos, que esse tipo de preconceito em relação à graduação tecnológica vem diminuindo, tanto por parte dos próprios alunos quanto por parte das empresas.

 

Ainda assim, a escolha por um curso técnico, superior ou superior tecnológico deve partir do perfil do estudante, de suas aspirações, objetivos e condições familiares e financeiras. “As modalidades de cursos se constituem em maneiras diferentes de adquirir conhecimento e é essa diversidade de opções que permite que mais pessoas sejam capacitadas”, explica Letícia Bechara, coordenadora do Vestibular e Relacionamento da Trevisan Escola de Negócios.

 

AS MODALIDADES

 

Curso técnico

Vantagens

– Pode ser cursado paralelamente ao Ensino Médio ou após o seu término.

– Proporciona um acesso mais rápido ao mercado e dá uma formação técnica na área de interesse do aluno.

Desvantagens

– Risco de precipitação na hora da escolha da área

– Dificuldades de conciliamento com o estudo de matérias do Ensino Médio, caso o estudante queira tentar um vestibular

Perfil

– Voltado para jovens estudantes que querem entrar no mercado em um curto espaço de tempo.

 

Curso superior tecnológico

Vantagens

– Formação superior em tempo reduzido, com duração de 2 a 3 anos

– Especialização em uma área do conhecimento focada no interesse do estudante

Desvantagens

– Menor carga horária

– Limitação para o aprendizado de outras áreas

– Falta de oportunidades em concursos públicos e em outros processos seletivos

Perfil

– Estudantes concluintes de Ensino Médio ou Técnico

– Profissionais que já atuam na área de interesse e querem uma formação específica

 

Curso Superior

Vantagens

– Conhecimento mais amplo de outras disciplinas

– Opção por vários caminhos dentro da formação, devido às diversas áreas possíveis para se trabalhar

Desvantagens

– Tempo mais longo para a formação

– Aumento da indecisão de atuação do profissional

Perfil

– Estudantes que desejam uma formação mais abrangente

– Pessoas com perspectivas menos imediatas de profissionalização

– Pessoas com formação técnica e/ou tecnológica que querem agregar outros conhecimentos

 

(Box realizado com ajuda de Letícia Bechara, Denis Carmassi e Viviane Mourão – consultora e diretora da empresa Meta&Vida Desenvolvimento em RH)